sexta-feira, 20 de abril de 2012

Roda Viva!

A força dos costumes de um povo costuma ter mais peso que o de certas leis. Por vezes, uma lei somente é obedecida pelo temor da punição reservada a quem a ignorar. Já os costumes, arraigados na tradição de uma sociedade, são comparáveis aos conselhos de uma pessoa sábia e experimentada, que não ousamos desprezar. Cabe ao legislador ter sabedoria suficiente para dinamizar a vida de uma sociedade: deve ele, ao mesmo tempo, respeitar a índole revelada nos costumes de um povo e não temer a necessidade de propor leis que respondam aos avanços da civilização. (Sr. Carlos Chagas)




A sociedade sempre funcionou de forma dinâmica, sempre mudando seus conceitos e, consequentemente, suas regras. Ocorre que a atualidade tem revelado um dinamismo jamais visto, o que faz com que do legislador, representante do povo, também se exija cada vez mais coragem e ousadia para a elaboração de normas compatíveis com os costumes.
Ainda que a princípio uma nova prática na sociedade cause certo impacto, mesmo aquela que reflete evolução, como é o caso do reconhecimento legal da união de pessoas do mesmo sexo, faz-se mister que o legislador, como representante do povo, deva almejar recepcionar a mudança que se revela no cotidiano. Dessa forma, ela terá a ousadia de aplicar essas transformações por meio da criação de novas normas que regulem tais situações e as tornem definitivamente legítimas.
A força dos costumes em uma sociedade tem poder tamanho que quase sempre é também mais grave que os castigos impostos pela lei, a exemplo da prostituição, que apesar de não ser proibida por lei, tem, e sempre teve, aos olhos da sociedade, sanções fortíssimas, de forma a deixar às margens do convívio social as pessoas que dessa atividade sobrevivem.
Insta ressaltar, por fim, que os próprios costumes são uma das fontes do direito, que se traduz não apenas em casos de omissão legal, mas também nas hipóteses em que leis formalmente vigentes caem em desuso.
Pelo exposto, pode-se concluir que o dinamismo das relações sociais tem que ser, obrigatoriamente, acompanhado pela elaboração de novas regras que de fato traduzam os avanços da civilização.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Resumo alguns sentimentos modernos em matéria de justiça.

O julgamento que conta é o da nossa consciência. A prova disso: fazemos, desde o século XVII, uma bela diferença entre o que é legal e o que é justo. Condenados por excesso de velocidade na Dutra, entendemos que 130 km/h seja ilegal, mas nós conhecemos as razões de nossa pressa e só nós sabemos se, ilegal ou não, nossa velocidade era justa ou injusta. Nesse caso, a gente erige nosso foro íntimo como corte suprema. As coisas eram mais simples quando, nem tanto tempo atrás, achávamos que a decisão podia ficar na mão de um Deus que se expressaria publicamente. Acusados, caminharíamos sobre a brasa e seríamos inocentados se nossos pés não queimassem. Também devia ser mais simples quando podíamos delegar a justiça (não apenas a legalidade) a um sábio, príncipe ou representante de Deus, ao qual reconheceríamos o poder de proclamar, incontestado, se somos culpados ou inocentes. Ora, tantas cortes singulares e inevitavelmente contraditórias não poderiam regrar eficazmente nossa vida social; resignamo-nos, portanto, a um compromisso: consideramos justo e toleramos que um júri de outros humanos (cujo foro íntimo seria comparável ao nosso) escute as acusações e os argumentos de defesa e, assim, nos condene ou nos inocente. (Contardo Calligaris, Terra de ninguém)





Julgamentos Subjetivos


Trata-se de um tema, sem dúvidas, de inesgotável discussão, cujo empenho da filosofia, da psicologia, das ciências sociais em geral, é apenas abrandar e tornar possível essa convivência com o que se é justo para determinado indivíduo ser absolutamente díspar em relação a outro.

A diferença entre o que é legal e o que é justo tem, sob determinado prisma, critérios objetivos; possui num outro olhar, no entanto, uma carga altamente subjetiva. A princípio, o que é legal, aquilo que se encontra literalmente disposto em regras jurídicas, só ao juiz cabe, e ainda assim num campo bastante restrito, analisar se há ou não justiça. O que ocorre de forma oposta no momento da elaboração de determinada norma, em que sujeitos analisam o que é importante para a sociedade e elaboram regras que devam ser seguidas, segundo critérios subjetivos, conquanto democráticos.

Na atual sociedade ocidental, o poder de julgamento tornou-se fato de abrangência tamanha que é mister que se crie restrições quanto a sua legitimação. É inerente ao ser humano o conflito que se cria diante de situações que não se coadunam com os seus valores, sejam morais, éticos ou religiosos. Com isso, e diante da impossibilidade de haver julgamentos legítimos acerca de cada um e perante cada sujeito que se faz corte, a única medida eficaz é delegar tais julgamentos a pessoas pré-determinadas para o feito.

A ideia que se extrai, então, é a impossibilidade de se impor limites a que sejam feitos julgamentos individuais, posto que aos pensamentos, aos sentimentos, às razões, não se é dado colocar rédeas, não obstante a inafastável necessidade que há em colocá-las, o que se faz outorgando-se esse ônus a terceiros devidamente legitimados.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Do latim, anxietate


Usualmente, só recorremos ao dicionário para descobrirmos o significado de palavras até então ignoradas ou a correta grafia de determinado vernáculo.


Porém, uma viagem por este "celeiro de ideias vivas" para conhecermos o exato significado de palavras rotineiras, surpreendentemente, pode nos ajudar a compreender determinadas situações e sentimentos.

Hoje pela manhã, o medo, este substantivo masculino que, pelo léxico, consiste na "Perturbação resultante da idéia de um perigo real ou aparente", desembarcou nos meus sentimentos  para uma estadia que promete ser menos breve do que eu gostaria.


Às vésperas de minha primeira cirurgia médica, acordei neste domingo perturbado. O perigo de uma cirurgia, ainda que hipotético, mexeu com minha psique e com o meu corpo. O temor do negativo, a dúvida do novo, refletiram diretamente em meu estômago. É impressionante como a mente e o físico estão intimamente ligados.


Para não deixar esse sentimento negativo tomar conta, lembrei dos benefícios que irei auferir, caso a cirurgia seja bem-sucedida. Desde a mais simples atividade - como subir uma escada, até a mais complexa que já consegui desenvolver (jogar tênis), retornarão ao meu cotidiano que, justamente pela lesão, anda bem pouco emocionante.


Me enchi de esperança. 

Esperança! 

Corri para o dicionário e me deparei com uma definição simples, porém extremamente ilustrativa: "Aquilo que se espera, desejando."

Foi então que me indaguei: O que é capaz de produzir, alternadamente, medo e esperança? O que faz me angustiar com a chegada e, ao mesmo tempo, a desejá-la com veemência?

Pesquiso mais um pouco e encontro a palavra que pode responder esses meus dominicais sentimentos; Leio sua definição de acordo com a Psicologia: "Atitude emotiva concernente ao futuro e que se caracteriza por alternativas de medo e esperança". 


É isso! De novo, é a maluca da ansiedade!






quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim (1927-1994)

Rua Nascimento Silva, cento e sete
Você ensinando prá Elizete
as canções de canção do amor demais
Lembra que tempo feliz, ai que saudade,
Ipanema era só felicidade
Era como se o amor doesse em paz
Nossa famosa garota nem sabia
A que ponto a cidade turvaria
este Rio de amor que se perdeu
Mesmo a tristeza da gente era mais bela
e além disso se via da janela
Um cantinho de céu e o Redentor
É, meu amigo, só resta uma certeza,
é preciso acabar com essa tristeza
É preciso inventar de novo o amor
Rua Nascimento Silva, cento e sete
Eu saio correndo do pivete
Tentando alcançar o elevador
Minha janela não passa de um quadrado
A gente só vê cimento armado
Onde antes se via o Redentor
É meu amigo só resta uma certeza
É preciso acabar com a natureza
É melhor lotear o nosso amor



É um fato que tenho recebido reclamações de milhares de leitores sobre esses temas EMOs que nós, os autores, estamos produzindo.
Ocorre, no entanto, que ao tentar fugir para outro espaço deparei-me com a triste data de falecimento de Antonio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, o nosso Tom. Buscando homenageá-lo, então, achei essa música que o não menos genial Vinícius de Moraes fez ao Tonzinho (como o chamava).
Extraio dessa letra a infeliz e já conhecida constatação de que o passado é sempre melhor...
Já foi tema, inclusive, de outros textos deste mesmo blog! Mas é inesgotável esse mote, por ser inesgotável esse sentimento.
Ao olharmos para trás tudo parece um sonho, partes ruins existem, mas tornam-se pequenas, distantes, nós acabamos virando heróis de nossas próprias histórias, sempre dá-se um jeito, arruma-se uma desculpa para que tenhamos agido de determinada forma em certo momento, "não tinha como ser de outra maneira", "era o melhor a ser feito", e então, resolvemo-nos conosco mesmos, uns com álcool, outros com drogas, outros com ajuda profissional, e os que sucumbem na depressão.
Há quem queira viver a vida ao máximo, cada instante, sempre e tudo. Com isso são muitos os arrependimentos que a frente surgem, então busca-se viver mais ainda para não se tenha mais deles no futuro! Quanta ilusão...
O fato do passado ser maravilhoso ou, no mínimo, melhor que o presente é fatalmente um recurso do nosso sub-consciente visando não sei a qual objetivo. Denegrir o presente? Glorificar o passado? Não sei, mas a psicologia deve ter alguma explicação (tentativa) para isso.
A magia está no único instante que pode ser mágico: AGORA! Por mais hedonista que essa "clichética" frase é, ela também é a mais pura realidade, ao menos aos que não têm muitas expectativas para o além-morte. Para esses a vida deve ser muito mais fácil...
Não quero me estender, a única ideia foi lembrar e singelamente homenagear o Maestro mais Brasileiro que tivemos, temos e sempre teremos!!!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Somos os que Vamos

Image: Rene Magritte - Os Amantes (1928)



MONOGAMIA. Ao realizar a pesquisa sobre o assunto, para melhor produzir essa breve dissertação, deparei-me com um grande volume de informações, textos e artigos que se contrapunham as questões da vida monogâmica, indicando que o assunto anda meio desacreditado ultimamente. De uma forma geral a "defesa" da monogamia se reduzia a produções de forte cunho moralista como a igreja e o Direito. Portanto é, de certa forma um objetivo, analisar a questão nem como "mito", nem como "obrigação", mas focado nas questões funcionais e existenciais que emanam da questão.

Não por acaso a antropóloga Margaret Mead sustenta que a monogamia é "o mais difícil de todos os arranjos conjugais humanos". É também um dos mais recentes. A ideia da monogamia nasce junto com o turbilhão de ideias que brotavam no mundo ocidental no século XVII. Influenciados principalmente pelas ideias do Romantismo e do Iluminismo. Nesse contexto surge o casamento por amor (versão mais conhecida da sociedade ocidental contemporânea) um fenômeno absolutamente contemporâneo (de no máximo 1 século e meio), que praticamente recria a forma de viver em sociedade. Mesmo casais fiéis e juntos há muito tempo são novatos na monogamia, quer percebam ou não.

Ao tentarem manter um vínculo social e sexual que consista exclusivamente em um homem e uma mulher, esses indivíduos estão contrariando algumas das inclinações evolutivas mais profundas da biologia da maioria das criaturas, uma vez que apenas cerca de 4% das quase 5 mil espécies de mamíferos (incluindo os humanos) formam laços duradouros e monógamos. Evidência irrefutável de que a monogamia é a exceção no comportamento dos animais desse planeta.

Porém devemos compreender que o homem (homo sapiens), uma vez que se organizou e se desenvolveu tecnologicamente, criou uma série de hábitos que passaram a compor os impulsos e reações humanas da mesma forma que os determinados pela Biologia. É claramente o caso das relações monogâmicas, que ao contrário do comportamento das espécies, onde há uma observação mais consolidada há muito tempo, passou a ser estudada apenas a partir da década de1950 quando surgem os primeiros estudos sobre a instituição do casamento e da monogamia

Minha posição pessoal tende a sustentar que a espécie humana não é fisiologicamente monogâmica. Somos seres extremamente hedonistas e libidinosos. Em contraponto sustento que o ideal de monogamia não foi ainda testado por tempo suficiente para que possa ser considerado insatisfatório. Não é possível apontar uma melhor opção na dialética entre monogamia e poligamia sem incorrer em uma linha de moralismo ou canalhismo. Ambos são um dos muitos caminhos que devemos escolher ao traçar nossa trajetória na vida, sabendo que, nesse caso, é possível que caminhemos por ambas (por um pequeno período, naturalmente) as estradas antes de escolher em qual seguiremos.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Família

Titãs

Família! Família!
Papai, mamãe, titia
Família! Família!
Almoça junto todo dia
Nunca perde essa mania...
Mas quando a filha
Quer fugir de casa
Precisa descolar um ganha-pão
Filha de família se não casa
Papai, mamãe
Não dão nem um tostão...
Família êh! Família ah!
Família! oh! êh! êh! êh!
Família êh! Família ah!
Família!...
Família! Família!
Vovô, vovó, sobrinha
Família! Família!
Janta junto todo dia
Nunca perde essa mania...
Mas quando o nenêm
Fica doente
Uô! Uô!
Procura uma farmácia de plantão
O choro do nenêm é estridente
Uô! Uô!
Assim não dá pra ver televisão...
Família êh! Família ah!
Família! oh! êh! êh! êh!
Família êh! Família ah!
Família! hiá! hiá! hiá!...
Família! Família!
Cachorro, gato, galinha
Família! Família!
Vive junto todo dia
Nunca perde essa mania...
A mãe morre de medo de barata
Uô! Uô!
O pai vive com medo de ladrão
Jogaram inseticida pela casa
Uô! Uô!
Botaram cadeado no portão...
Família êh! Família ah!
Família!
Família êh! Familia ah!
Família! oh! êh! êh! êh!
Família êh! Família ah!
Família! hiá! hiá! hiá!...



Um dos conceitos etimológicos de família, extraído do dicionário aurélio, traz a seguinte redação: 11.Sociol. Comunidade constituída por um homem e uma mulher, unidos por laço matrimonial, e pelos filhos nascidos dessa união.

É impossível negar que esse é o conceito da família moderna, criada até meados do século XX, onde tanta coisa era diferente! Mas há ainda quem tenha esperança e essa visão, por mais improvável que possa ser, ainda pode ser...
E nada melhor para dar uma possível abertura a essa possibilidade do que uma gestação, se para Mário Prata 'filho é bom, mas dura muito', para Vinícius, com quem concordo pouca coisa mais: 'filhos, melhor não tê-los, mas se não os temos como sabê-lo?'. E penso que isso seja em relação a tudo em nossas vidas, como saber de algo antes de vivenciarmos? É impossível! E nisso sou tão empirista quanto é possível, nesse caso e aristotelicamente falando, nada há no nosso modo de ver o mundo sem que antes não tenha acontecido conosco, aliás há, mas sob outro império, o da ditadura intelectual que nos impomos sem antes termos vivenciado.
Pois bem, mas tornando à família... A par do antigo conceito e de toda mudança ocorrida em nossos tempos, temos todos (quase) essa figura de papai, mamãe e filhinho incrustados em nossas mentes e aqueles que, como eu, não veem o mundo dessa forma, são mal vistos. Esse conceito é como religião ao qual Arthur Schoppenhauer em um trecho de sua obra, transcrita em 'A Cura de Schoppenhauer' , diz ser até apelativo, pois não nos dá a opção, é arraigado em nossas mentes tão cedo que torna-se quase inato. Há quem discorde também.
Como dito, há ainda quem concorde, mesmo nos tempos atuais, onde a verdade é algo tão fugaz, que esse modelo patriarcal, onde o pai era um pouco o representante de deus, ainda esteja em vigor... Se um dia isso foi bom, não posso dizer, não podemos cobrar de um surdo a descrição de algum som! O que sei é que se com sentimento não se pode brincar, com a concepção de uma criança tão menos... é coisa séria, que traz bônus, os mais inenarráveis que são ditos, mas traz também sérios ônus, e que não se olvide que o vínculo é eterno e esse sim 'até que a morte nos separe'...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Complementos incompletos...

"Os humanos se protegem da perda do ser amado evitando as peripécias e as decepções inerentes ao amor genital e, transformam esse amor num sentimento inibido quanto a sua finalidade, transformando esse amor exclusivo em amor pela humanidade. Mas todo amor que não escolhe, perde o seu valor, pois é injusto em relação ao seu objeto, e depois, porque nem todos os humanos merecem ser amados. Meu amor é algo infinitamente precioso, que eu não tenho o direito de desperdiçar sem prestar contas. Se amo um outro ser, de alguma forma ele tem que merecer. Ele o merece se é tão melhor que eu e me oferece a possibilidade de amar nele meu próprio ideal." (Freud)



Freud diz que já que os homens não podem viver só de amor, vão viver de trabalho e de sociedade também, mas para ele as mulheres seriam anti-civilizatórias porque elas gostariam de manter o ser amado perto delas ao passo que o ser amado quer ir para o mundo.
Por esse depoimento Freud fora taxado de machista e tudo mais possível, mas há a possibilidade de se interpretar essa frase de uma outra forma, com um pouco mais de humor, onde as mulheres adoram discutir a relação e os homens tem vontade de pular da janela cada vez que isso acontece...
Para além dessa imagem caricatural há um fundo de verdade, pois como foi ao longo dos séculos para os homens o laços sociais existiram de diversas formas, fazendo guerra, fazendo exército, vê-se que nem todos eram laços bons, mas para as mulheres não, elas talvez falassem a verdade sobre o amor.
O que Freud quer chamar a atenção é que nem o amor traz a felicidade e que o ser humano é dividido por essa pulsão de vida, que quer fazer laços cada vez mais amplos e por essa pulsão de morte, que faz com que o homem, retomando Hobbes, seja o lobo do homem, no fundo, portanto, há uma agressividade inata no homem, essa agressividade humana está no cerne do desejo e dá prazer ao ser humano, é ela que dá corpo à pulsão de morte a que Freud se referiu, que pode se manifestar de várias formas, na
agressividade contra o próximo, na violência sexual, na exploração do trabalho, exploração política, nas ditaduras, guerras, na violência social. Ela se reflete em tudo aquilo que se repete...

Esse é um trecho de uma palestra sobre a pós-modernidade que refere-se à família pós-moderna, cujo tema é Amor e Liberdade. Nessa palestra tem-se por principal figura Zigmunt Bauman, sociólogo polonês que talvez seja o grande nome dos tempos atuais!
O que mais me chamou atenção nisso tudo foi a parte onde Freud fala sobre o desperdício do amor... "meu amor é algo infinitamente precioso e eu não tenho o direito de desperdiçá-lo sem prestar contas".
A gente vive fazendo isso, né? Primeiro fazendo de uma outra pessoa o seu ideal, o que, em verdade, não depende de nossa razão, é algo que ultrapassa essa fina barreira. Amar o seu próprio ideal em outra pessoa seria bom? Porque daí, vejamos, se esse ideal erra, acaba-se por entrar-se em pane com seu próprio sistema e se você já não gosta tanto de si é porque o ideal não acompanhou tuas mudanças.
Teríamos desperdiçado um tempo formidável de nossas vidas com uma imagem que não era real? Penso que não... se desperdiçamos, e eu não concordo com essa palavra, é porque naquele momento isso nos convinha, de alguma forma isso nos fez bem, nos completou, aliás não, não nos completou pois não somos incompletos (dentro de nossa inexorável necessidade de completude), a palavra correta deve ser complementar, acrescentar.
Cada um complementa sua vida da melhor forma e quanto mais complemento, vivenciando Vinícius de Moraes, melhor é a vida... Já escolheu seu complemento?